A história do Leitão da Boa Vista

A história do Leitão assado da Boa Vista remonta ao início do século passado. Nessa altura, era rara a habitação que não improvisava curraletas nos seus anexos, para ali criar porcos que servissem de sustento a toda a família. Não raras vezes, a criação superava as expectativas e dava origem ao negócio de leitões. Em época de festa, era hábito assar os leitões nos tradicionais fornos a lenha, onde regularmente se cozia o pão e a broa. A técnica começou por ser um pouco diferente da utilizada hoje, já que os Leitões eram assados abertos, em tabuleiros de barro. Ainda hoje há casas que, a pedido, o confecionam assim!

Da tradição festiva à industrialização foi um pulinho.
Em 1956, José Ferreira Morgado, fundador da casa Morgatões, aliou o seu saber ao de José de Oliveira Vitório e juntos viriam a ser os impulsionadores da assadura de Leitão da Boa Vista para venda.
Naquela altura, a Estrada Nacional 1 atravessava a localidade da Boa Vista, sendo este o trajeto mais rápido para ir de Lisboa ao Porto.
Sabe-se que, entre Santarém e Coimbra, quem precisava de abastecer o depósito o fazia ali, nas icónicas bombas de gasolina da SACOR. O sentido de oportunidade fez com que ali começassem a abrir portas diversos restaurantes e assadores especializados em Leitão, que se têm mantido, de pedra e cal, até aos dias de hoje.

A fama do Leitão da Boa Vista foi crescendo e logo começaram a chover encomendas para Lisboa. Expedidos através da empresa de camionagem dos Claras ou dos Oliveiras, os leitões chegavam ao seu destino primorosamente embalados, sobre uma tábua de madeira, envoltos em papel pardo e atados com corda de sisal, à qual se juntava uma etiqueta de madeira com os dados do destinatário.

Lembranças que os mais velhos recordam com carinho e que vão transmitindo, de geração em geração, juntamente com o saber e os segredos de bem assar o Leitão da Boa Vista!